Cultura
Nataniel Ngomane abre os livros que ficaram por ser (re)lido na casa dos Coutos
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O professor de literatura Nataniel Ngomane protagonizou, na passada terça-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, uma palestra dedicada à redescoberta de obras moçambicanas que, apesar do seu valor literário e histórico, caíram no esquecimento.
Com o tema «Os livros que ficaram por ser (re)lidos», o evento revisitou títulos e autores que marcaram épocas, mas que hoje circulam pouco entre leitores, estudantes e instituições de ensino.
Segundo Ngomane, muitos textos fundamentais para compreender a sociedade moçambicana foram progressivamente afastados das listas de leitura, seja por falta de reedições, seja por alterações nos programas académicos. O objetivo da palestra não se limitou a recuperar essas obras, mas também estimular uma reflexão crítica sobre os critérios que determinam o que se lê.
Para os participantes, a iniciativa representou uma oportunidade de contacto com textos pouco conhecidos, mas essenciais para a construção de uma identidade literária nacional. A conversa também abriu caminho para o relançamento editorial de obras esgotadas e reforçou hábitos de leitura no país.
Ao destacar livros esquecidos, Ngomane reafirmou a necessidade de preservar o património literário moçambicano, garantindo que vozes do passado continuem a dialogar com o presente e a inspirar novas gerações de leitores e escritores.
Cultura
Khufene Mauelele propõe novo paradigma de governação em África
O escritor moçambicano Khufene Mauelele lançou recentemente o romance Ubuntucracia, uma obra que cruza ficção, filosofia e crítica social para propor um modelo de governação baseado nos valores africanos. O livro já se encontra disponível nas livrarias moçambicanas e promete provocar debate intelectual, político e cultural em África e na diáspora.
Ambientado num universo simbólico profundamente ligado à realidade do continente africano, o romance acompanha personagens como Ubuntu, Democracia e Muntu, que representam ideias, sistemas e dilemas contemporâneos. A narrativa questiona os limites da democracia convencional e apresenta a Ubuntucracia como uma alternativa ética, política e civilizacional, centrada na humanidade, solidariedade e respeito pela comunidade.
Segundo o autor, a obra defende que a verdadeira transformação não surge apenas de leis ou instituições, mas de uma mudança profunda na forma como os indivíduos se relacionam entre si e com o poder. Ubuntu, figura ligada à ancestralidade e memória africana, confronta-se com o peso da história e o silêncio imposto, enquanto Democracia enfrenta as suas próprias falhas e Muntu representa o cidadão comum, marcado pela dor histórica e pela esperança persistente de um futuro mais justo.
A narrativa constrói um diálogo intenso entre tradição e modernidade, abordando temas como Afrocentricidade, memória colectiva, espiritualidade e resistência, propondo uma reflexão urgente sobre o futuro de África e do mundo.
A obra foi apresentada pela professora e ensaísta Renata Diaz-Szmidt, com comentários do filósofo Dionísio Bahule, e reforça o papel da literatura como instrumento de questionamento e transformação social.
Khufene Mauelele é reconhecido pelo seu trabalho voltado à identidade, política e filosofia africana, usando a ficção como meio de provocar reflexão e ação na sociedade.
Cultura
Fauziya Fliege leva a arte moçambicana à Vernice Art Fair na Itália
A artista moçambicana Fauziya Fliege participou, pela primeira vez, da Vernice Art Fair, na Itália. A feira de arte de três dias que encerrou neste domingo (29) reuniu galerias, artistas individuais, colectivos e associações de toda a Itália e do exterior que apresentaram exposições, performances ao vivo, apresentações de academias e iniciativas solidárias.
Nesta edição, a vigésima terceira na história da feira, Fliege apresentou duas peças da sua colecção recente Atrás das Máscaras sob a técnica acrílico sobre tela, intituladas “Gender Reveal”, Revelação do Género, em inglês (104 x 110cm) e “The Journey of Expecting”, A Jornada da Expectativa, em inglês (110 x 150cm), obras que já haviam sido expostas no Museu Diocesano Capitulare de Terni, em Terni.
“Essas peças já se encontravam na Itália. É incrível pensar que agora têm uma nova vida num contexto mais amplo, com artistas espetaculares e um público internacional”, afirma a artista, orgulhosa.
A participação na feira é, para Fliege, mais do que visibilidade, é uma oportunidade de colocar a arte moçambicana em destaque num espaço global, ainda que a artista não tenha estado presente fisicamente, devido a questões alheias a sua vontade.
“Um evento deste nível é crucial a presença do artista, e estou insatisfeita por não poder ir. Espero que a minha ausência não impeça que curadores e colecionadores me descubram e proponham exposições ou outro tipo de parcerias,” destaca.
Para a artista, momentos como este ajudam a reposicionar a presença africana no mercado global da arte, embora a arte africana já tenha reconhecimento – como provam conquistas recentes, como o artista ganês Ibrahim Mahama, nomeado o mais influente do mundo em 2025 – cada participação conta. “Muita gente vai ver e reconhecer o valor da arte moçambicana. Isso é essencial para abrir portas para outros artistas do país”, acredita.
Quanto ao futuro, Fauziya Fliege prefere deixar-se guiar pelos caminhos que se abrem. “Minha lista de desejos é enorme, mas deixo a vida me levar. Cada passo adiante é uma bênção, e sou muito grata por isso.”
A Vernice Art Fair é um mercado de artes dirigida a colecionadores, profissionais da arte e público em geral. Esta edição, como as anteriores, trouxe um programa diversificado, que incluiu exposições, projectos especiais e iniciativas solidárias. Entre os destaques estão as principais exposições com obras de Amanda Chiarucci e uma instalação de boas-vindas de Alberto & Rino Costa, além do projecto colaborativo Voci dalla Terra (Vozes da Terra), que reúne cerâmica, esculturas protectoras e planisférios em movimento, com performance ao vivo da artista italiana Laura Mircea.
Cultura
Assa Matusse explica o significado de “Hamiriza”
A cantora moçambicana Assa Matusse lançou, no passado dia 27 de Março, o videoclipe da sua nova música “Hamiriza” e, por detrás do nome escolhido, à semelhança da canção, está uma mensagem carregada de simbolismo.
“Hamiriza”, que significa “dançar” em suaíli (língua bantu), não foi uma escolha aleatória. Para Assa, o termo transmite o objectivo central desta obra: transformação, libertação e recomeço. A dança, enquanto acto, é o fio condutor de toda a narrativa, não apenas como movimento físico, mas como forma de expressão, afirmação pessoal e resistência ao silêncio.
“Hamiza significa dança e esta é a dança de quem por muito já passou, de quem viveu e morreu anos atrás e anos depois volta ao mundo na sua segunda Life e tudo que não quer é voltar a viver uma vida miserável e muito menos colecionar desilusões”, escreveu a artista nas suas redes sociais.
No videoclipe, Assa “hamiriza” em espaços públicos, rompendo com padrões de repressão e mostrando que recomeçar exige coragem e decisão consciente. A escolha da palavra suaíli reforça também o enraizamento da obra na cultura africana, onde a dança há muito funciona como veículo de emoções, valores e memória colectiva.
Importa referir que “Hamiriza” já conta com cerca de 50 mil visualizações no YouTube e insere-se na recente EP da cantora, “Nati Tivah”, que conta com seis faixas, todas disponíveis nas plataformas digitais de streaming.