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Cultura

Áquila Chirindza: a rainha das serenatas

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Áquila Serenatas é o nome da voz que tem conquistado moçambicanos através de serenatas. Com 22 anos de idade, ingressou no mundo musical aos 16 anos por influência da congregação religiosa onde os seus pais ocupavam cargos de destaque, tendo integrado ao grupo coral onde desenvolveu boa parte daquilo que sabe em termos musicais.

Formada em Contabilidade e Finanças pela Universidade Zambeze, descobriu que podia usar o dom que lhe foi concedido por “forças divinas” para alegrar e mudar o dia das pessoas que escutam suas melodias. Em 2020 realiza a sua primeira serenata por insistência de uma conhecida e descobre que podia rentabilizar o seu gosto pelo canto que até aquela altura tinha inclinação evangélica, sendo começou a explorar outras áreas para enriquecer o seu pacote.

Em 2021, resolve ingressar de forma mais agressiva ao mercado musical, trabalhando o suficiente para que com ajuda das redes sociais seu nome atravessa-se as capitais províncias (Inhambane e Gaza) e fosse tão apreciada na cidade de Maputo, onde por duas vezes realizou digressão de serenatas conseguindo alcançar a meta de 500 serenatas em um ano, número que cresce cada dia.

O trabalho e a persistência trouxeram lucros suficientes ao ponto de adquirir a sua primeira viatura, algo que lhe alegra, pois não teve que recorrer a outras práticas para tal, apenas usou o seu talento para viver seu sonho e resolver um problema relacionado à mobilidade.

Cultura

WAITHOOD um novo registo para a arte africana 

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Nesta sexta-feira, 14 de junho, na varanda do Cowork Lab 5, na Avenida da Marginal, a cidade de Maputo assiste à primeira edição da revista WAITHOOD, que surge com a ideia de criar uma interseção entre a arte contemporânea, arquitetura e a experiência de jovens negros africanos e da diáspora.

A revista apresenta uma viagem através da qual artistas, escritores e criadores negros imaginam futuros diferentes e fazem o trabalho necessário para manifestá-los. Em outras palavras, segundo o comunicado de imprensa que tivemos acesso, WAITHOOD Magazine é onde/quando/como jovens africanos e diaspóricos se reúnem para sonhar e criar estratégias de acesso a futuros livres.

Com curadoria de Ana Raquel Machava, a revista WAITHOOD tem como objetivo “produzir e fazer circular conhecimento com o potencial de resgatar o futuro dos povos negros das mãos do capital; um ato urgente e contínuo de decolonização”, diz o comunicado.

O evento de lançamento conta com a música da artista moçambicana DJ LOCO e a presença de artistas e escritores moçambicanos que contribuíram para a edição, nomeadamente os fotógrafos Ildefonso Colaço e Chonga Pessana e o escritor Jonhson Nhacula. Este evento pretende transformar a varanda em um lugar de festa e de reflexão em torno do tema central da primeira edição, “Descanso”, e sua relação com o elemento clássico “Terra”.

O nome WAITHOOD é um presente da antropóloga moçambicana Alcinda Honwana, que utiliza a palavra para descrever a fase liminar que os jovens atravessam na transição da infância para a idade adulta, uma espécie de adolescência prolongada indesejável, muitas vezes entendida como um produto de crises políticas neoliberais, que obrigam os jovens africanos a experienciar muita precariedade, como falta de emprego e de oportunidade de se afirmarem na sociedade como adultos bem-sucedidos.

Além do lançamento da revista, no mesmo evento, será apresentada a nova programação do projeto de cinema “KUXA KA GUETTO”, uma proposta de cinema nos bairros periféricos da cidade de Maputo e Xai-Xai, produzida pela organização Chamanculo é Vida.

Anteriormente a este lançamento, a WAITHOOD Magazine teve sua estreia no Senegal, na African Art Book Fair, e também passou pelo MTN Bushfire, um dos festivais multiculturais mais conhecidos e emblemáticos no continente africano.

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Cultura

AZGO 2024, uma festa inesquecível

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Festival AZGO

Foram dois dias intensos e de confirmação da pujança ou relevância do Festival AZGO como uma marca que já conquistou o coração de Moçambique e dos moçambicanos.

Volvidos dez anos de uma intensa jornada de produção, gestão e consolidação de uma marca que orgulha Moçambique, a direção do AZGO lançou-se a um desafio que vai redefinir as lógicas e métodos de funcionamento do festival ao longo dos próximos bons anos.

“O AZGO deu certo”, o que podemos ouvir e ler em todo lado muito a propósito do sucesso da 11ª edição do festival. Cumbeza vestiu-se de gala e transformou-se numa verdadeira catedral das artes dramáticas, numa fusão da moda, gastronomia, artes visuais e música como espinha dorsal.

As performances ao vivo de artistas nacionais e estrangeiros coloriram as duas noites da 11ª edição do AZGO. Hot Blaze e Twenty Fingers provaram o poder das suas músicas. Durante toda a actuação, o público cantou por completo as obras dos dois artistas.

Hot Blaze no Festival Azgo

Não há dúvidas que estas podem ter sido das melhores apresentações do AZGO 2024. Mas não ficam de fora outros moçambicanos de qualidade elevada, a destacar: Wazimbo, os irmãos Nelson e Tânia Chongo, Humberto Luís, Granmah, entre outros que carregaram a essência de Moçambique e da moçambicanidade nos palcos Fany Mpfumo e Zena Bacar.

Aos internacionais, aplausos caracterizam a presença de celebridades como; Something Soweto, Lisandro Cuxi, Boloja entre muitos outros que ofereceram aos festivaleiros a alma e o sentido da sua arte.

Sobre as outras actividades do festival, realçamos o AZGO Bazar, uma feira de diversos produtos e marcas orgulhosamente moçambicanas. Os criativos estiveram a expor e vender as obras e ou serviços num evento que se mostra cada vez mais aberto às outras disciplinas para além da música.

Mais uma vez o prémio de melhor traje africano foi evidenciado nesta edição do AZGO, que visa estimular o orgulho pela expressão do continente através da moda.

Viva África

Este ano o AZGO mudou-se para uma nova casa, mas manteve o orgulho de ser um festival africanos e por isso o lema foi, uma vez mais, “Afrofuturismo”. E o segundo dia da 11ª do AZGO coincidiu com o 25 de Maio, Dia de África.

A identidade visual do festival, assinada pelo virtuoso artista visual Hugo Mendes por PsiconautaH, celebra esse sentido de africanidade, com traços e influências que oferecem uma abordagem leal às origens, trazendo propostas e profecias sobre o futuro do continente.

Pela primeira vez o AZGO teve um espaço para acampamento instalado no Espaço Cultural e Multidisciplinar de Cumbeza. Denominado AZGO Camping, o espaço proporcionou uma experiência mais intensa aos festivaleiros que durante dois dias viveram mais de perto toda a magia do festival.

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Cultura

Mélio Tinga e Eduardo Quive discutem guerra e violência através de “Mutiladas” e “Névoa na Sala”

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Mélio Tinga e Eduardo Quive

Foi na noite de quarta-feira, 15 de Maio, pelas 18h, que os amantes da literatura e o público em geral, testemunhou, no Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM), em Maputo, o lançamento de duas obras literárias intituladas “Mutiladas” e “Névoa na Sala” dos escritores Mélio Tinga e Eduardo Quive, sob a chancela da Catalogus. 


Diga-se que, foi um evento envolvente e comovente, pela sensibilidade que carrega a dura realidade do dia-a-dia dos Moçambicanos desde à violência aos traumas de guerra oriundos de Cabo Delgado.

Em Mutiladas, Eduardo Quive, explora com profundidade a realidade das mulheres violentadas diariamente, a vida em geral e o exercício das suas memórias em cada cenário/episódio que vivencia no seu quotidiano. Em suma é através desta que, busca em forma de arte narrar vivências de moçambicanos e convidá-los a reflectir sobre o hoje e o amanhã.

“A alegria de escrever este livro é de pensar no dia-a-dia dos moçambicanos, a questão da violência doméstica, numa perspectiva global, desde a sociedade, instituições como por exemplo uma mulher entra no hospital de alsa e não pode ser atendida, como é que as crianças nas escolas estão a ser formadas agora, sendo a escola um espaço não seguro, tranquilo como é que as crianças que vivenciam essa violência vão ser adultos do amanhã”,

declarou Quive.

O Livro “Mutiladas” não é só mais um simples lançamento, como também constitui mais um passo para o autor, pois, é seu primeiro livro de estreia em “contos”, distanciando-se, assim do verso, seu género característico.


“Esta mudança procura nova abordagem porque na verdade, as histórias que eu queria contar, era preciso lhes dar maior dimensão um espaço que a poesia geralmente não dá, mas também era preciso chamar personagens pelos nomes e falar destas vidas, e sobretudo as mulheres que sofreram seus traumas, a violência.

É preciso chamar essas vítimas pelos nomes, o que muita das vezes não acontece, são simplesmente chamadas por vítimas. Nessas histórias quis aventurar na narrativa e colocar essas personagens que são o quotidiano do dia-a-dia das pessoas e muito provavelmente provocar uma reflexão na sociedade moçambicana”.
 
Enquanto Quive explora a violência quotidiana em diferentes vectores sociais (educação, saúde, instituições publicas etc), Mélio Tinga, explora a guerra na zona nortenha do país, Cabo Delgado, através da “Névoa na Sala”.

“Este livro é actual no sentido que explora o efeito da guerra que cria nas pessoas, nesse sentido acho que é preciso um paralelismo entre o que acontece em Moçambique e, outros países sobre o terrorismo. Essencialmente explora o que está guerra causa no interior das pessoas no aspecto psicológico”.

Com esta, Tinga, convida a todos moçambicanos a refletirem sobre os transtornos que uma guerra pode causar para a população. O autor reitera também maior urgência a necessidade de reconstrução dos homens após guerra, visto que constituem agenda primária, a recomposição de grandes cidades e intra-esturras e, assim deixando-se os homens à sua sorte sem devido acompanhamento.

“O livro chama atenção de todos nós. O que poderíamos fazer depois desse período pós guerra e de reconstrução. Depois desse período, não só precisamos de reconstruir as cidades e vilas, como também precisamos de reconstruir o ser humano, cuidar da questão psicológica dessas pessoas, cuidar traumas pós guerras dessas pessoas que muitas das vezes terminada a guerra continuam com feridas enormes e ninguém presta atenção nisso” disse o autor.

 A junção dos autores para o efeito (lançamento), surge , segundo eles, para interpretar o evento como momento de partilhas e afetos, onde o colectivo, domina o individualismo.

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