Cultura
O dia em que Samora negou a devolução do Gungunhana
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Gungunhana foi o último rei do Império de Gaza, em Moçambique. Destacou-se pela liderança em várias batalhas contra as forças coloniais portuguesas, tendo, porém, sido capturado em 1895.
Capturado e exilado
Após a sua captura, juntamente com a sua família, foi exilado para os Açores (Portugal), onde permaneceu até à sua morte, em 1906.

O regresso à terra natal
Em 1983, quase 10 anos após a independência, Samora Machel visitou Portugal e tinha um pedido especial: a devolução dos restos mortais de Gungunhana, o último rei de Gaza.
“Foi uma tentativa, primeiro, de se reconciliarem enquanto Estados e enquanto nações, de procurarem esquecer o passado”, afirmou Ungulani Ba Ka Khossa, escritor moçambicano.
Expectativa vs. realidade
Quando chegou a Portugal, Samora encontrou uma urna muito pequena, até porque era mais a questão simbólica da terra onde Gungunhana havia sido sepultado.
Pequena para a dimensão de um rei
Samora Machel “rejeitou” a urna. O que ele queria era um caixão que expressasse a dimensão de Gungunhana perante o povo moçambicano.
Quase dois anos depois, Samora Machel regressou a Portugal para receber a urna que levaria os restos mortais de Gungunhana de volta a Moçambique.
Urna digna de um rei
No regresso a Maputo, a urna desfilou por várias ruas da cidade, perante a multidão, até à sua última morada: a Fortaleza de Maputo.
A última morada
A urna pesa 225 kg, esculpida por Paulo Comé sob a direcção de Malangatana Ngwenya, artista plástico moçambicano, e tem José Freire como arquitecto da obra.

Fonte: Quando Portugal Raptou um Rei
Cultura
Janeth Mulapha apresenta Ndzula “filhas do Índico e let’s talk”
Janeth Mulapha apresenta esta quarta-feira, 29 de Abril, às 18h30 duas performances Ndzula filhas do Índico e let’s talk, na Sala Grande do Franco-Moçambicano, em Maputo.
Ndzula filhas do Índico revisita o Tufo a partir de uma abordagem contemporânea, explorando o corpo como lugar de memória e resistência.
Let’s talk, propõe uma reflexão sobre o corpo feminino africano enquanto território social e político.
Refira-se que a dança contemporânea é uma proposta alusiva ao dia mundial da dança.
Cultura
“D’Mim”, um instante suspenso no universo de Constantine
No dia 29 de Abril, às 19h, Constantine apresenta no palco do 16NetO a performance “D’Mim”.
“D’Mim” surge como um interlude do universo que o artista tem vindo a construir, um fragmento ao vivo que antecipa uma obra maior ainda em desenvolvimento.
No palco, Constantine cria um espaço íntimo onde baixo, voz e electrónica se entrelaçam para sustentar vestígios de memória, desejo e presença.
Não se trata de uma narrativa completa, mas de um corte sensível, um instante suspenso que revela apenas parte do que está por vir.
Cultura
Edson Martinho lança o seu livro de estreia na Beira
“Apanhados da Vida” é o título do livro de estreia de Edson Martinho, do género poesia, chancelado pela Mapeta Editora, a ser lançado na cidade da Beira, no dia 27 de Abril, no Centro Cultural Português, a partir das 18 horas.
A apresentação do livro estará a cargo do escritor e activista literário Lino Chicamisse. “Apanhados da Vida” é uma colectânea poética que entrelaça dor, amor, resistência e identidade numa escrita visceral.
Os poemas expõem a crueza da injustiça social, da violência em Cabo Delgado, da corrupção académica e do racismo, mas também celebram a ternura da maternidade, a nostalgia e a força da poesia.
Com imagens marcantes e linguagem poderosa, Edson Martinho, em sua estreia literária, revela as contradições do ser humano e transforma cicatrizes em versos. Portanto, é uma obra comprometida com a realidade moçambicana, mas que ecoa questões universais.
Edson Martinho nasceu na cidade da Beira. É licenciado em Ensino de Português pela Universidade Licungo – Extensão da Beira, portanto, professor de formação. É também electricista e, às vezes, ajudante mecânico.
Tudo que não prejudica a sociedade, ele faz de coração. É membro fundador do Clube do Livro da Beira, uma agremiação juvenil que tem como propósito o incentivo à leitura. Em tempos livres, gosta de carimbar nos seus escritos tudo o que tem norteado a sociedade.
Participou da colectânea de poemas e crónicas Gritamos por Cabo Delgado (2.ª ed., 2024), marcando assim os seus primeiros passos no mundo mágico da literatura. Lino Manuel Chicamisse nasceu em 1990, na cidade da Beira. É licenciado em Ensino de Francês com habilitação em Ensino de Português pela extinta Universidade Pedagógica – Delegação da Beira (2014).
É membro fundador e Presidente da Mesa de Assembleia do Clube do Livro da Beira. Participou nas antologias Fique em Casa (2020) e Construtores de Palavras (1.ª ed., 2021; 2.ª ed., 2024), e tem vários textos publicados no website Recanto de letras.