Cultura
Amarildo Rungo quer motivar o espírito artístico no bairro Machava Socimol
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Em Maputo existem bairros que carregam consigo o espírito artístico e histórico, porém, outros nem por isso. Foi pensando nisso que o artista plástico Amarildo Rungo resolveu iniciar a “pintura” em seu bairro da Machava- Socimol, com vista elevá-lo à categoria artística.

Neste momento, o pintor conta com 3 murais espalhados pelo bairro, da vontade de mostrar a sua veia artística e praticar as lições resultantes da sua formação na Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV), e mostrar que é possível mudar certos pensamentos sobre o bairro. “Quero mostrar que é possível ensinar através da arte”, declara o artista.
Os murais já aqui concluídos, carregam consigo a intervenção social retratando o modo de vida da sociedade moçambicana.
O primeiro mural surgiu durante o confinamento em resposta ao “fecho” das actividades culturais em retrato do novo coronavírus.
“Que ratos são esses que roem a minha bandeira”, é o segundo mural do artista e aparece, segundo explicou, em apresentação dos contornos do julgamento das dívidas ocultas que decorre em Moçambique, carregando em simultâneo a revolta do artista para a actual situação da sociedade na qual está inserida.
Fora o novo projecto, Amarildo Rungo apresentou em 2021, ao lado do fotógrafo moçambicano Ildefonso Colaço, a exposição “Corporação” na Mueda Arte e no Centro Cultural Moçambique-Alemão.
Cultura
Musical “O Veredicto” levaCultura Moçambicana ao banco dos réus no dia 31 de Julho em Maputo
A ZEP Estúdios realiza, no dia 31 de Julho, sexta-feira, às 18h00, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, “O Veredicto”, um musical criado e dirigido por Zé Pires.
A produção transforma a Cultura Moçambicana na ré de um “julgamento” que pretende reflectir sobre o seu papel no desenvolvimento da música nacional, colocando em debate uma acusação provocadora: “A cultura moçambicana não contribui para o sucesso da música moçambicana.”
Mais do que um espectáculo, “O Veredicto” apresenta-se como um tribunal simbólico onde a cultura, a história e a identidade moçambicanas são confrontadas perante o público, que assume o papel de júri. Ao longo da narrativa, juízes, procuradores, advogados e testemunhas conduzem um julgamento que cruza teatro, música, dança, poesia e literatura para discutir a preservação do património cultural e a sua influência na construção da música moçambicana.
Em palco, artistas, ritmos, línguas, danças e costumes ganham voz para defender o legado cultural do país. Referências incontornáveis da música moçambicana, como João Domingos, surgem como testemunhas da riqueza e da capacidade de reinvenção da cultura nacional. O espectáculo recupera géneros tradicionais, momentos históricos e expressões culturais que marcaram diferentes gerações, defendendo que a cultura não é um património estático, mas uma força viva que continua a inspirar e a transformar a criação artística contemporânea.
Criado a partir de uma visão artística do conceituado músico Zé Pires, “O Veredicto” nasce do desejo de elevar o padrão das produções nacionais, oferecendo ao público uma experiência cénica, onde a interpretação, a música, a sonoplastia, a iluminação, os elementos visuais e a literatura dialogam para criar uma narrativa imersiva.
Para além da componente artística, o musical integra um projecto mais amplo de formação de audiências em Moçambique. A iniciativa pretende demonstrar que produções culturais de elevada qualidade não devem permanecer acessíveis apenas a um público restrito. A ambição da produção é que, com maior interesse e apoio nacional, espectáculos de carácter educativo e promotores de valores de cidadania possam beneficiar de mecanismos de financiamento que permitam temporadas mais longas e bilhetes mais acessíveis.
A visão do projecto assenta na convicção de que a formação de públicos começa pelas crianças e pelos jovens, considerados essenciais para garantir o futuro das artes e consolidar uma cultura de valorização do teatro musical no país.
Assumindo o teatro musical como uma poderosa ferramenta de comunicação, “O Veredicto” procura transmitir mensagens sociais de forma firme, educativa e impactante, recorrendo à arte para estimular a reflexão sobre cidadania, memória, identidade e responsabilidade colectiva.
Mais do que assistir a um julgamento, o público será convidado a decidir uma questão que atravessa toda a narrativa: afinal, qual é o verdadeiro veredicto sobre a Cultura Moçambicana?
Cultura
Jimmy Dludlu celebra 40 anos de carreira com concerto duplo na Katembe
O consagrado músico moçambicano Jimmy Dludlu prepara um dos momentos mais marcantes da sua trajectória artística, com a realização de um concerto de celebração dos seus 40 anos de carreira, agendado para os dias 24 e 25 de julho, no Onix Events, na Katembe, cidade de Maputo.
Mais do que um concerto, o evento pretende homenagear quatro décadas do “Menino de Chamanculo” dedicadas à música, à promoção do afro-jazz e à construção de uma carreira que ultrapassou fronteiras, tornando o artista uma das mais respeitadas referências da música africana contemporânea.
Para assinalar este percurso, a Top Produções, empresa organizadora, preparou um formato de “Concerto 2 em 1”, distribuído por duas noites, cada uma com identidade própria, reunindo diferentes gerações de músicos e intérpretes. A iniciativa procura celebrar não apenas a carreira do homenageado, mas também a riqueza da música produzida na África Austral, promovendo um encontro entre artistas, estilos e públicos de diferentes proveniências.
Na primeira noite, 24 de julho, Jimmy Dludlu sobe ao palco acompanhado pela banda moçambicana In The Groove, num espectáculo que destaca o talento nacional e a forte ligação do músico às suas raízes africanas. O evento será conduzido por Seth Swaze, enquanto o palco receberá artistas como Stewart Sukuma, Mingas, Banda Kakana, Pika Tembe, Onésia Muholove, Elcides Carlos, Prince Chone e o DJ Sérgio Butler.
Na segunda noite, 25 de julho, o espectáculo contará com a participação da banda sul-africana C Base Collective, reforçando a dimensão regional do evento e evidenciando os laços culturais entre Moçambique e a África do Sul. A apresentação será conduzida por Izidine Faquirá e terá como convidados artistas de reconhecido percurso, entre os quais a premiada cantora sul-africana Judith Sephuma, Frank Paco, John Hassan, Válter Mabas, Xixel Langa, Gabriela, além dos DJs No Name e Serito.
Ao reunir músicos de diferentes gerações, estilos e nacionalidades, o concerto pretende afirmar-se como uma plataforma de valorização da música africana e do diálogo cultural, demonstrando a capacidade do jazz de estabelecer pontes entre tradição, inovação e diferentes linguagens musicais.
Espera-se que o evento reúna centenas de amantes da música, profissionais das indústrias culturais e criativas, empresários, estudantes e público em geral, num ambiente de celebração e reconhecimento de uma carreira construída com consistência, talento e compromisso.
Com um percurso iniciado ainda na adolescência, Jimmy Dludlu construiu uma carreira sólida no universo do afro-jazz, afirmando-se como guitarrista, compositor e professor de música. Ao longo de décadas, trabalhou com algumas das maiores referências do continente e da diáspora, participou em festivais internacionais e lançou vários álbuns aclamados, muitos deles premiados nos South African Music Awards — SAMA. A sua discografia, marcada pela fusão entre o jazz e sonoridades africanas, já ultrapassou centenas de milhares de cópias vendidas, consolidando o seu nome como uma das figuras mais influentes da música africana contemporânea.
A produção do evento está a cargo da Top Produções, que tem vindo a afirmar-se na organização de espectáculos de grande dimensão. Para esta iniciativa, a organização conta com o apoio de parceiros estratégicos que acreditam no desenvolvimento da cultura e das indústrias criativas, nomeadamente Onix Events, Standard Bank, Cervejas 2M e Águas da Namaacha.
Cultura
Fundação Fernando Leite Couto lança programa de pensamento crítico para 90 jovens dos PALOP
A Fundação Fernando Leite Couto anunciou o lançamento de “A Arte do Pensamento Crítico”, um programa de formação que vai reunir 90 jovens dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com o objectivo de desenvolver competências de análise, reflexão e criação através das artes contemporâneas.
A iniciativa é realizada com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com os colectivos CACAU (São Tomé e Príncipe), Kino Yetu (Angola), Ur-GENTE (Guiné-Bissau) e o Instituto Pedro Pires.
Destinado a jovens entre os 18 e os 30 anos, nacionais e residentes em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, o programa pretende responder aos desafios colocados pelo crescimento do espaço digital, onde a circulação massiva de informação e de diferentes narrativas exige cada vez mais capacidade de interpretação e pensamento crítico.
Segundo a organização, o programa propõe um espaço de formação e criação que cruza o pensamento crítico com diferentes linguagens artísticas contemporâneas.
Formação com especialistas e artistas de referência
O programa será desenvolvido através de masterclasses, oficinas práticas, sessões de mentoria e uma mostra pública dos trabalhos produzidos pelos participantes.
As masterclasses contarão com nomes como Francisco Noa, Eduardo Quive, Raquel Lima, Nástio Mosquito e Mehak Vieira, que abordarão temas como pensamento crítico, desinformação, identidade, linguagem e circulação de narrativas.
A sessão de abertura será conduzida pelo escritor Mia Couto e pelo sociólogo Elísio Macamo.
Escrita, fotografia e vídeo
Além das sessões teóricas, os participantes desenvolverão projectos autorais em áreas como escrita, fotografia e vídeo, acompanhados por facilitadores como José dos Remédios, Luísa Nhamtunbo e João Graça.
O percurso será complementado por sessões de mentoria individual, culminando numa exposição pública que reunirá obras em diferentes formatos, incluindo texto, fotografia, vídeo e storytelling.
De acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, o programa parte da ideia de que o pensamento crítico não é apenas uma competência individual, mas um processo activo de construção de sentido, em diálogo com as práticas artísticas contemporâneas.
A data de abertura das candidaturas será anunciada em breve.