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Cultura

Mia Couto soma mais uma homenagem

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Mia couto na Frelimo

A 9ª edição da Feira do Livro de Maputo, que ocorrerá entre os dias 27 e 29 de julho, será dedicada ao renomado escritor moçambicano Mia Couto. O evento contará com conferências e debates com convidados ligados ao autor e à literatura lusófona.

Organizada pelo Concelho Municipal de Maputo em colaboração com várias instituições, a Feira do Livro de Maputo tem como tradição homenagear escritores em vida e patronos a título póstumo. Este ano, o evento escolheu o poeta e nacionalista Rui de Noronha como patrono. Noronha, que se destacou por formas mais libertas de constrangimentos e por abordar temas relacionados às tradições nativas de Moçambique, como no celebrado poema “Quenguelequêzê”, recebeu a homenagem póstuma.

Além do homenageado, a organização revela que escritores e embaixadores dos Países de Língua Portuguesa acreditados em Moçambique também estarão presentes no evento.

Cristina Manguele, coordenadora da Feira do Livro de Maputo, afirmou que “a escolha tanto do patrono como do homenageado deve-se ao fato de terem escrito livros que são muito celebrados na literatura moçambicana e da língua portuguesa, espelhando de forma muito peculiar a situação da segregação racial, negritude, moçambicanidade, guerra civil e o renascimento que se operou depois do fim dos conflitos”.

Mia Couto é um dos escritores mais renomados de Moçambique e já foi agraciado com diversos prêmios literários, incluindo o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa. Nascido em 1955 na cidade de Beira, em Moçambique, Couto é conhecido por sua escrita poética e inventiva que aborda temas como a identidade, a história, a natureza e a complexa relação entre o homem e o ambiente.

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Cultura

Talentos nacionais em destaque no novo ciclo de exposições do Ready for Art

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O Absa Bank Moçambique lançou recentemente um novo ciclo de exposições de arte contemporânea nas cidades de Maputo, Beira e Nampula. A iniciativa integra o programa Ready for Art e visa dar visibilidade a talentos nacionais, aproximando arte e comunidade.

A iniciativa enquadra-se no programa Ready for Art, uma plataforma que tem vindo a afirmar-se como espaço de promoção e valorização de talentos nacionais, ao mesmo tempo que aproxima a arte do público.

Na capital do país, o destaque vai para as obras de Dionésio Matabel, Alfredo Sambo e Marcos Zandamela, cujas criações reflectem diferentes abordagens da contemporaneidade moçambicana. Já na cidade da Beira, o público pode apreciar trabalhos de Celso Manhengue, Celso Júnior e David Alfredo. Em Nampula, a mostra integra peças de Nuno Mário, Genito Joaquim e Rocha Abílio. Cada exposição estará aberta até 24 de Abril.

O programa Ready for Art inclui também formação, mentoria e treino em empreendedorismo, oferecendo oportunidades de entrada no mercado da arte. Tânia Oliveira, directora de Marketing do banco, sublinha que a iniciativa vai além da promoção artística: “Cada artista traz uma narrativa única que merece ser vista, valorizada e partilhada.”

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Cultura

Khufene Mauelele propõe novo paradigma de governação em África

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O escritor moçambicano Khufene Mauelele lançou recentemente o romance Ubuntucracia, uma obra que cruza ficção, filosofia e crítica social para propor um modelo de governação baseado nos valores africanos. O livro já se encontra disponível nas livrarias moçambicanas e promete provocar debate intelectual, político e cultural em África e na diáspora.

Ambientado num universo simbólico profundamente ligado à realidade do continente africano, o romance acompanha personagens como Ubuntu, Democracia e Muntu, que representam ideias, sistemas e dilemas contemporâneos. A narrativa questiona os limites da democracia convencional e apresenta a Ubuntucracia como uma alternativa ética, política e civilizacional, centrada na humanidade, solidariedade e respeito pela comunidade.

Segundo o autor, a obra defende que a verdadeira transformação não surge apenas de leis ou instituições, mas de uma mudança profunda na forma como os indivíduos se relacionam entre si e com o poder. Ubuntu, figura ligada à ancestralidade e memória africana, confronta-se com o peso da história e o silêncio imposto, enquanto Democracia enfrenta as suas próprias falhas e Muntu representa o cidadão comum, marcado pela dor histórica e pela esperança persistente de um futuro mais justo.

A narrativa constrói um diálogo intenso entre tradição e modernidade, abordando temas como Afrocentricidade, memória colectiva, espiritualidade e resistência, propondo uma reflexão urgente sobre o futuro de África e do mundo.
A obra foi apresentada pela professora e ensaísta Renata Diaz-Szmidt, com comentários do filósofo Dionísio Bahule, e reforça o papel da literatura como instrumento de questionamento e transformação social.

Khufene Mauelele é reconhecido pelo seu trabalho voltado à identidade, política e filosofia africana, usando a ficção como meio de provocar reflexão e ação na sociedade.

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Cultura

Nataniel Ngomane abre os livros que ficaram por ser (re)lido na casa dos Coutos

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O professor de literatura Nataniel Ngomane protagonizou, na passada terça-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, uma palestra dedicada à redescoberta de obras moçambicanas que, apesar do seu valor literário e histórico, caíram no esquecimento.

Com o tema «Os livros que ficaram por ser (re)lidos», o evento revisitou títulos e autores que marcaram épocas, mas que hoje circulam pouco entre leitores, estudantes e instituições de ensino.

Segundo Ngomane, muitos textos fundamentais para compreender a sociedade moçambicana foram progressivamente afastados das listas de leitura, seja por falta de reedições, seja por alterações nos programas académicos. O objetivo da palestra não se limitou a recuperar essas obras, mas também estimular uma reflexão crítica sobre os critérios que determinam o que se lê.

Para os participantes, a iniciativa representou uma oportunidade de contacto com textos pouco conhecidos, mas essenciais para a construção de uma identidade literária nacional. A conversa também abriu caminho para o relançamento editorial de obras esgotadas e reforçou hábitos de leitura no país.

Ao destacar livros esquecidos, Ngomane reafirmou a necessidade de preservar o património literário moçambicano, garantindo que vozes do passado continuem a dialogar com o presente e a inspirar novas gerações de leitores e escritores.

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