Cultura
Maputo recebe exposição UPCycles que transforma arquivos em arte contemporânea
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Inaugura na sexta-feira, 10 de Abril, na Fortaleza de Maputo, às 18h30, a exposição dos trabalhos desenvolvidos durante a 5.ª edição da Residência Artística UPCycles, uma iniciativa que desafia artistas e curadores emergentes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a criar obras a partir do património audiovisual.
A mostra apresenta os trabalhos criados pelos moçambicanos Mário Cumbana, Thandi Pinto e Délfio Muholove, pela cabo-verdiana Gilda Barros e pela angolana-alemã Maresa Nzinga Pinto, após dois meses de desenvolvimento à distância e duas semanas de imersão presencial na capital moçambicana.
A residência, promovida pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM) conta com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, apoio do Centro Cultural Franco-moçambicano, da Direcção da Cultura da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), através da Fortaleza de Maputo, do Camões – Centro Cultural Português e do CIEBA – FBAUL. A edição deste ano recebeu 37 candidaturas.
Diana Manhiça, da AAMCM, sublinha que o projecto. “Tem já a sexta edição também garantida, a partir do financiamento que a Fundação Calouste Gulbenkian disponibiliza. Agradecemos essa confiança que eles depositam em nós e no conceito e na equipa que produz a UPCycles”.
Mário Cumbana apresenta um trabalho que cruza três momentos históricos: o massacre de Mueda de 1960, tendo como base o filme homónimo de Ruy Guerra, o 7 de Setembro de 1974 e as manifestações de 2024.
Thandi Pinto propõe um arquivo especulativo de Moçambique, onde os próprios moçambicanos são figuras centrais, humanizando imagens etnográficas que durante décadas foram tratadas como objectos de estudo. Délfio Muholove parte da pergunta “que país estamos a construir?” e cria uma instalação sobre edifícios abandonados em Maputo.
Gilda Barros traz o mar e o sal como elementos centrais, a partir de arquivos da Cinemateca Portuguesa sobre a vida quotidiana em Cabo Verde, com foco nas mulheres. Maresa Nzinga Pinto dedica-se às histórias das mulheres Madgermanes, trabalhadoras moçambicanas contratadas pela antiga República Democrática Alemã, intervindo em arquivos oficiais que, segundo a artista, “reduzem as pessoas a números”.
Durante a inauguração, o artista visual João Roxo e o beatmaker Nandele Maguni apresentam“Arquivo 16”, uma experiência imersiva que combina colagens de vídeo criadas no momento com áudios analógicos produzidos ao vivo. A performance dialoga com o espírito da residência, a reinterpretação ao vivo de arquivos e memórias, num encontro entre imagem e som.
A exposição anual, a quinta, que ficará patente na Fortaleza de Maputo até 10 de Maio de 2026, para visitas públicas e gratuitas, é o momento alto do trabalho, um percurso que a curadora Ângela Ferreira descreveu como um momento de aprendizagem.
A UPCycles teve a sua primeira edição em 2019, e Diana Manhiça reforça a importância do trabalho continuado: “ao longo das edições, esperamos ter deixado uma pequena marca na comunidade artística, incentivando o uso de arquivos audiovisuais como matéria para criação. E esperamos poder continuar a fazê-lo no futuro”, frisou.
A UPCycles – Residência Criativa Audiovisual insere-se numa estratégia mais ampla de advocacia pelo acesso, valorização e reutilização do património audiovisual comum dos PALOP, incentivando a mobilidade e a criação de redes entre artistas do espaço lusófono.
Cultura
Festival Maputo em Cena homenageia Evaristo Abreu na sua segunda edição
A Olankha realiza a segunda edição do Festival Maputo em Cena. Evento que este ano acontece entre os dias 13 e 22 de Agosto presta homenagem ao actor, encenador e dramaturgo moçambicano Evaristo Abreu, em reconhecimento do seu contributo para o desenvolvimento das artes cénicas em Moçambique.
O festival apresenta uma programação diversificada que reúne nove espectáculos, actividades de formação e uma mesa-redonda, promovendo encontros entre artistas nacionais e internacionais e aproximando o público das artes performativas.
Entre os destaques da programação encontra-se “O Dançarino”, de Evaristo Abreu, dirigido por Isabel Jorge. A obra que integra a homenagem ao artista e celebra o seu legado na dramaturgia e na cena moçambicana será apresentada no dia 13, às 18h00, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).
Estão propostos igualmente os espectáculos “Dois perdidos numa noite suja”, no dia 14, e “O microfone quebrado”, no dia 21, apresentados pela companhia Mahamba, bem como ao espectáculo “Jacob, um conto moçambicano”, no dia 20, protagonizado pelo actor moçambicano radicado em Portugal, Alberto Magassela.
A programação integra ainda “Politiquices de pequeno vulto”, uma produção do grupo Luarte agendada para o dia 16, na Casa Velha. Trata-se de uma peça que reforça a diversidade estética da programação ao abordar, através da linguagem teatral, questões sociais e políticas do quotidiano cruzando o humor e a crítica.
O festival apresenta igualmente “Lutar para perder”, no dia 18, às 18h00, no Instituto Guimarães Rosa (IGR). O monólogo interpretado pelo actor Ailton Zimila, um dos talentos emergentes do teatro moçambicano, expõe uma sensibilidade artística e qualidade interpretativa que têm vindo a afirmar-se junto do público e da crítica.
Reforçando o seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, o “Maputo em Cena” realizará duas actividades no bairro da Mafalala. Énia Lipanga, escritora e activista social, apresenta, no dia 15, no Museu Mafalala, o seu audiolivro “Nada será devolvido em silêncio” e, no dia 17, a Companhia Makweru leva ao Circuito da Mafalala a peça “Kuloha”.
A reflexão sobre o teatro nacional ocupará igualmente um lugar de destaque com a realização da mesa-redonda “Pensar a Estética do Teatro Moçambicano a partir da obra de Evaristo Abreu”. Sob moderação de Dadivo José, a conversa terá como painelitas Lucrécia Paco, Alberto Magassela, Elliot Alex, Maria Atalia Adamugy e Félix Bruno Luís Carlos. O encontro marcado para o dia 18, no CCFM, pretende promover um debate em torno da herança artística de Evaristo Abreu e dos caminhos estéticos do teatro moçambicano contemporâneo.
A componente formativa do festival será assegurada por duas oficinas dirigidas a públicos distintos. A primeira, destinada a crianças, será orientada por Rita Couto, enquanto a segunda será dedicada a estudantes de artes cénicas e conduzida pelo actor Alberto Magassela, proporcionando um espaço de aprendizagem e partilha de experiências.
De referir que a segunda edição do Festival Maputo em Cena é coordenado e produzido pela Olankha Produção e Comunicação, empresa moçambicana especializada na produção de conteúdos audiovisuais, comunicação e produção de eventos culturais e artísticos, e conta com o apoio da Cultiv’Arte e o Centro Cultural Franco-Moçambicano.
Cultura
Arlindo Jossias Uamusse lança o seu segundo livro em Xai-Xai
A cidade de Xai-Xai será palco, no próximo 6 de Agosto, do lançamento do livro “As Armadilhas do Segredo: Conversa da Alma”, a mais recente obra do escritor Arlindo Jossias Uamusse.
O evento terá lugar no Motel Concha, a partir das 16h00, e contará com a apresentação da escritora Deusa d’África.
Chancelado pela Mapeta Editora, o livro marca a segunda publicação de Arlindo Uamusse e insere-se no género da poesia. A obra convida os leitores a mergulhar nos labirintos da alma humana, explorando o peso dos segredos, das palavras não ditas, das verdades ocultas e das emoções reprimidas.
Através de metáforas marcantes e versos carregados de sensibilidade, o autor desafia o público a reflectir sobre os limites entre o silêncio que protege e aquele que nasce do medo.
Natural de Manjacaze, na província de Gaza, Arlindo Jossias Uamusse nasceu em 1988 e desenvolve uma actividade multifacetada. Além da escrita, é músico, professor da Escola Bíblica Dominical, conselheiro pastoral e activista social pelos direitos humanos, com especial enfoque nas áreas da saúde, protecção e legalidade para pessoas em situação de vulnerabilidade no distrito de Chókwè. É licenciado em Ensino de Inglês, com habilitação para o Ensino de Português, e integra o Clube do Livro de Gaza. Estreou-se na literatura em 2023, com a obra O Primogénito – Um Legado Além da Posição.
A apresentação da obra estará a cargo de Deusa d’África, pseudónimo da escritora, poeta e activista cultural Dércia Sara Feliciana. Também natural de Xai-Xai, é reconhecida pela sua produção literária ligada ao feminismo afro-moçambicano e à ecopoética. Coordena a Associação Cultural Xitende e é autora de diversas obras, entre as quais A Voz das Minhas Entranhas, Cães à Estrada e Poetas ao Morgue, Uma Onça na Cidade e Metamiserismo.
Cultura
Hodi Swing Junior representa Moçambique na Suécia
A Hodi Swing Junior, uma das ramificações da Associação Cultural Hodi Maputo Afro Swing, encontra-se atualmente na Europa, onde realiza uma digressão artística pela Suécia, reforçando o compromisso da associação com a promoção e internacionalização da cultura moçambicana.
O ponto alto da digressão é a participação no Herräng Dance Camp (HDC), um dos maiores e mais prestigiados acampamentos de dança swing do mundo, que decorre na vila de Herräng, reunindo milhares de participantes e artistas de diferentes países.
Para além da participação no HDC, a Hodi Swing Junior tem agendadas diversas apresentações na cidade de Estocolmo, levando ao público o espetáculo “TSuntsu Wale Kaya”, uma produção que celebra a riqueza das danças, ritmos e expressões culturais de Moçambique.
O grupo chegou à Suécia no dia 4 de julho de 2026 e teve a honra de ser recebido na Embaixada da República de Moçambique na Suécia pelo Embaixador Francisco Neto António Novela, que manifestou o seu apoio à iniciativa e confirmou a sua presença no espetáculo de encerramento da digressão, marcado para o dia 17 de julho de 2026, no Dieselverkstaden – Sickla, em Estocolmo.
Esta é a quinta participação da Hodi Swing Junior em grandes eventos culturais na Europa, consolidando o seu percurso como uma das principais referências na divulgação da cultura moçambicana além-fronteiras.
A presença de artistas moçambicanos no Herräng Dance Camp representa uma oportunidade ímpar para promover a diversidade cultural de Moçambique, fortalecer o intercâmbio artístico internacional e contribuir para a massificação da prática das danças moçambicanas no mundo.
A Associação Cultural Hodi Maputo Afro Swing solicita aos órgãos de comunicação social a divulgação desta informação nos seus diferentes canais, contribuindo para dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos jovens artistas moçambicanos e à promoção da cultura nacional no panorama internacional.