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Lukie pede união aos artistas do norte de Moçambique
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A cantora moçambicana Lukie recorreu às redes sociais para deixar um apelo directo aos artistas da região norte do país, numa mensagem marcada pela preocupação com as divisões internas no seio da classe artística.
Nas suas declarações, Lukie destacou que os músicos do norte enfrentam, diariamente, diversos desafios para conquistar espaço e aceitação no panorama nacional. Segundo a artista, este esforço colectivo começa agora a dar resultados, com vários nomes da região a conseguirem afirmar-se e a penetrar mercados que, durante muito tempo, pareceram inacessíveis.
No entanto, a cantora lamenta que, numa fase em que esses avanços começam a consolidar-se, surjam conflitos e disputas internas entre os próprios artistas. Para Lukie, estas rivalidades acabam por fragilizar o movimento cultural da região e desviar o foco do principal objectivo: o crescimento conjunto.
Importa recordar que, recentemente, a artista lançou a música “Othelana”, em colaboração com o músico Hot Blaze, natural de Maputo, reforçando a ligação artística entre diferentes regiões do país.
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5 escritores moçambicanos que deves conhecer
A literatura moçambicana afirma-se como uma das mais importantes expressões culturais do país, reflectindo vivências, memórias e identidades de uma sociedade plural e rica. Entre os autores que têm projectado Moçambique no panorama literário internacional, destacam-se Mia Couto, Paulina Chiziane, Ungulani Ba Ka Khosa, José Craveirinha e Noémia de Sousa.
Cada um, com o seu talento e visão única, conquistou prémios e reconhecimento, tornando-se referência para novas gerações.
Mia Couto

António Emílio Leite Couto, conhecido como Mia Couto, é um dos nomes mais emblemáticos da literatura moçambicana contemporânea. O seu estilo singular combina poesia e oralidade africana, reinventando a língua portuguesa e explorando temas como identidade, memória e os impactos da guerra civil.
Terra Sonâmbula é uma das suas obras mais celebradas, traduzida e estudada em vários países.
Principais prémios:
• Prémio Virgílio Ferreira (1999)
• Prémio Mário António (2001)
• Prémio União Latina de Literaturas Românicas (2007)
• Prémio Eduardo Lourenço (2011)
• Prémio Camões (2013)
• Neustadt International Prize for Literature (2014)
• Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas (2024)
• Finalista do Prémio Oceanos (2025)
Paulina Chiziane

Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, Paulina Chiziane destaca-se pela escrita corajosa e sensível sobre a condição da mulher, tradições culturais e conflitos sociais.
Niketche: Uma História de Poligamia é uma das suas obras mais conhecidas, retratando os dilemas da sociedade moçambicana contemporânea.
Prémios e distinções:
• Prémio José Craveirinha de Literatura (2003)
• Prémio Camões (2021)
• Doutor Honoris Causa pela Universidade Pedagógica (2022)
• Inclusão na lista BBC 100 Women (2023)
Ungulani Ba Ka Khosa

Reconhecido pela sua escrita histórica e crítica, Ungulani Ba Ka Khosa revisita períodos pré-coloniais e coloniais de Moçambique, propondo novas leituras da história do país.
Ualalapi é uma das suas obras de referência, amplamente estudada e admirada ao longo de gerações.
Prémios:
• Prémio José Craveirinha de Literatura (2007) – Os Sobreviventes da Noite
• Prémio José Craveirinha de Literatura (2018) – pelo conjunto da obra
José Craveirinha

Considerado o “pai da literatura moçambicana”, José Craveirinha foi poeta, jornalista e activista. A sua poesia denuncia o racismo, as injustiças e a luta pela liberdade, tornando-o uma referência da literatura de intervenção social.
Foi o primeiro autor africano a receber o Prémio Camões.
Prémios e reconhecimentos:
• Prémio Cidade de Lourenço Marques (1959)
• Prémio Reinaldo Ferreira (1961)
• Prémio Alexandre Dáskalos (1962)
• Prémio Nacional de Poesia de Itália (1975)
• Prémio Lotus (1983)
• Medalha Nachingwea (1985)
• Medalha de Mérito – São Paulo, Brasil (1987)
• Prémio Camões (1991)
• Grau de Comendador da Ordem Infante Dom Henrique (Portugal, 1997)
• Doutor Honoris Causa pela Universidade Eduardo Mondlane (2002)
Noémia de Sousa

Carolina Noémia Abranches de Sousa, conhecida como Noémia de Sousa, é lembrada como a “mãe dos poetas moçambicanos”. A sua poesia, reunida em Sangue Negro, está profundamente ligada ao movimento da Moçambicanidade, denunciando injustiças, racismo e desigualdade.
É uma referência da literatura anti-colonial e um símbolo de resistência e liberdade.
Prémios e reconhecimento:
• Prémio Nacional de Literatura (1982)
• Reconhecimento da União de Escritores Moçambicanos
• Referência pioneira da poesia moçambicana moderna
Estes escritores não apenas escrevem eles traduzem a alma de um país. Cada obra é uma ponte entre Moçambique e o mundo, um convite a sentir, reflectir e conhecer a riqueza de uma identidade que se revela através das palavras.
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Saída da Mozal de Moçambique ameaça o futuro dos Prémios de Artes e Cultura
Recentemente, a Mozal emitiu um comunicado a anunciar a suspensão das suas actividades em Moçambique, a partir de 15 de Março de 2026. A decisão, motivada pela falta de fornecimento de energia eléctrica a preços competitivos, levanta uma série de preocupações que vão muito além do impacto económico imediato.
Entre as várias iniciativas afectadas, destaca-se uma das mais simbólicas no campo cultural, os Prémios Mozal de Artes e Cultura, esta iniciativa, que já vai na sua quinta edição, tornou-se, ao longo dos anos, uma referência incontornável na valorização e promoção dos artistas moçambicanos e um verdadeiro pilar no apoio à nova geração de artistas, atribuindo um prémio monetário de 120 mil Meticais por categoria.
Organizados em parceria com a Associação Cultural Kulungwana, os Prémios celebram anualmente o talento moçambicano nas áreas das Artes Visuais, Fotografia, Cinema e Audiovisuais, Dança, Teatro, Música e Design de Moda e Vestuário.
É inegável que, caso a saída da Mozal se efective nos moldes anunciados, o futuro destes prémios fica seriamente ameaçado. Para muitos criadores, os Prémios Mozal não representavam apenas um reconhecimento financeiro, mas também uma plataforma de visibilidade, legitimidade e afirmação no panorama artístico nacional.

O patrocínio da Mozal, no âmbito da sua responsabilidade social, preencheu uma lacuna profunda no financiamento das artes em Moçambique, num contexto onde o apoio estatal e privado à cultura é limitado e irregular, esta iniciativa destacou-se como uma das poucas plataformas de grande escala dedicadas à promoção de uma cultura inclusiva, diversa e genuinamente nacional.
Com o anúncio da suspensão das actividades da empresa, instala-se um cenário de grande incerteza um verdadeiro efeito dominó uma vez que não apenas os Prémios de Artes e Cultura, correrem risco de “morrer”, mas todo um ecossistema criativo que encontrou, ao longo dos anos, neste projecto, uma base mínima de sustentabilidade e esperança.
Embora a Mozal tenha referido que continuará a aperfeiçoar as suas estratégias de transição, com vista a apoiar a sustentabilidade dos projectos sociais implementados, permanece a dúvida, será suficiente para garantir a continuidade dos Prémios?
O tempo, e sobretudo as decisões que se seguirem, dirão se a cultura moçambicana voltará a perder mais um dos seus raros espaços de reconhecimento estruturado ou se surgirá uma nova forma de resistência e reinvenção.
Mais sobre os Prémios Mozal
Enquanto o futuro permanece incerto, a edição deste ano dos Prémios de Artes e Cultura assume um peso ainda mais simbólico, mais do que uma simples cerimónia, esta premiação pode representar um dos últimos grandes momentos de celebração estruturada da criatividade moçambicana sob o selo da Mozal.
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DELICA: Associação criada por Manuela Manguele para o desenvolvimento literário de crianças em Moçambique
Com 20 anos de idade, Manuela Beatriz Manguele, conhecida no meio artístico como Uela Picada, começa a afirmar-se como uma das jovens vozes mais promissoras da literatura moçambicana.
Escritora, poetisa e estudante de Ciência Política na Universidade Eduardo Mondlane, Manuela é a fundadora da DELICA – Associação para o Desenvolvimento Literário de Crianças e Adolescentes, uma iniciativa inovadora que tem vindo a transformar a relação de crianças e jovens com a leitura e a escrita criativa no país.
A criação da DELICA nasce de uma experiência pessoal marcada pela escassez de livros e pela falta de orientação literária durante a infância. A partir dessa realidade, Manuela decidiu criar uma estrutura que pudesse garantir às novas gerações oportunidades de contacto com a literatura, convertendo uma vivência de carência num projecto de impacto social e educativo.
A associação promove actividades como oficinas de escrita criativa, biblioterapia, performances poéticas e projectos comunitários, com o objectivo de incentivar o gosto pela leitura, fortalecer a expressão artística e estimular o pensamento crítico entre crianças e adolescentes.
A abordagem da DELICA tem-se destacado pelo seu carácter humanizado, artístico e atento ao desenvolvimento emocional e intelectual dos participantes.
Paralelamente ao trabalho associativo, Manuela Beatriz Manguele constrói o seu percurso como poetisa e criadora de conteúdos literários, explorando temas como identidade, infância, feminilidade, dor e resistência. A sua escrita revela sensibilidade e consciência social, características que marcam o seu contributo para a cena literária nacional.