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5 escritores moçambicanos que deves conhecer
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A literatura moçambicana afirma-se como uma das mais importantes expressões culturais do país, reflectindo vivências, memórias e identidades de uma sociedade plural e rica. Entre os autores que têm projectado Moçambique no panorama literário internacional, destacam-se Mia Couto, Paulina Chiziane, Ungulani Ba Ka Khosa, José Craveirinha e Noémia de Sousa.
Cada um, com o seu talento e visão única, conquistou prémios e reconhecimento, tornando-se referência para novas gerações.
Mia Couto

António Emílio Leite Couto, conhecido como Mia Couto, é um dos nomes mais emblemáticos da literatura moçambicana contemporânea. O seu estilo singular combina poesia e oralidade africana, reinventando a língua portuguesa e explorando temas como identidade, memória e os impactos da guerra civil.
Terra Sonâmbula é uma das suas obras mais celebradas, traduzida e estudada em vários países.
Principais prémios:
• Prémio Virgílio Ferreira (1999)
• Prémio Mário António (2001)
• Prémio União Latina de Literaturas Românicas (2007)
• Prémio Eduardo Lourenço (2011)
• Prémio Camões (2013)
• Neustadt International Prize for Literature (2014)
• Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas (2024)
• Finalista do Prémio Oceanos (2025)
Paulina Chiziane

Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, Paulina Chiziane destaca-se pela escrita corajosa e sensível sobre a condição da mulher, tradições culturais e conflitos sociais.
Niketche: Uma História de Poligamia é uma das suas obras mais conhecidas, retratando os dilemas da sociedade moçambicana contemporânea.
Prémios e distinções:
• Prémio José Craveirinha de Literatura (2003)
• Prémio Camões (2021)
• Doutor Honoris Causa pela Universidade Pedagógica (2022)
• Inclusão na lista BBC 100 Women (2023)
Ungulani Ba Ka Khosa

Reconhecido pela sua escrita histórica e crítica, Ungulani Ba Ka Khosa revisita períodos pré-coloniais e coloniais de Moçambique, propondo novas leituras da história do país.
Ualalapi é uma das suas obras de referência, amplamente estudada e admirada ao longo de gerações.
Prémios:
• Prémio José Craveirinha de Literatura (2007) – Os Sobreviventes da Noite
• Prémio José Craveirinha de Literatura (2018) – pelo conjunto da obra
José Craveirinha

Considerado o “pai da literatura moçambicana”, José Craveirinha foi poeta, jornalista e activista. A sua poesia denuncia o racismo, as injustiças e a luta pela liberdade, tornando-o uma referência da literatura de intervenção social.
Foi o primeiro autor africano a receber o Prémio Camões.
Prémios e reconhecimentos:
• Prémio Cidade de Lourenço Marques (1959)
• Prémio Reinaldo Ferreira (1961)
• Prémio Alexandre Dáskalos (1962)
• Prémio Nacional de Poesia de Itália (1975)
• Prémio Lotus (1983)
• Medalha Nachingwea (1985)
• Medalha de Mérito – São Paulo, Brasil (1987)
• Prémio Camões (1991)
• Grau de Comendador da Ordem Infante Dom Henrique (Portugal, 1997)
• Doutor Honoris Causa pela Universidade Eduardo Mondlane (2002)
Noémia de Sousa

Carolina Noémia Abranches de Sousa, conhecida como Noémia de Sousa, é lembrada como a “mãe dos poetas moçambicanos”. A sua poesia, reunida em Sangue Negro, está profundamente ligada ao movimento da Moçambicanidade, denunciando injustiças, racismo e desigualdade.
É uma referência da literatura anti-colonial e um símbolo de resistência e liberdade.
Prémios e reconhecimento:
• Prémio Nacional de Literatura (1982)
• Reconhecimento da União de Escritores Moçambicanos
• Referência pioneira da poesia moçambicana moderna
Estes escritores não apenas escrevem eles traduzem a alma de um país. Cada obra é uma ponte entre Moçambique e o mundo, um convite a sentir, reflectir e conhecer a riqueza de uma identidade que se revela através das palavras.
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Saída da Mozal de Moçambique ameaça o futuro dos Prémios de Artes e Cultura
Recentemente, a Mozal emitiu um comunicado a anunciar a suspensão das suas actividades em Moçambique, a partir de 15 de Março de 2026. A decisão, motivada pela falta de fornecimento de energia eléctrica a preços competitivos, levanta uma série de preocupações que vão muito além do impacto económico imediato.
Entre as várias iniciativas afectadas, destaca-se uma das mais simbólicas no campo cultural, os Prémios Mozal de Artes e Cultura, esta iniciativa, que já vai na sua quinta edição, tornou-se, ao longo dos anos, uma referência incontornável na valorização e promoção dos artistas moçambicanos e um verdadeiro pilar no apoio à nova geração de artistas, atribuindo um prémio monetário de 120 mil Meticais por categoria.
Organizados em parceria com a Associação Cultural Kulungwana, os Prémios celebram anualmente o talento moçambicano nas áreas das Artes Visuais, Fotografia, Cinema e Audiovisuais, Dança, Teatro, Música e Design de Moda e Vestuário.
É inegável que, caso a saída da Mozal se efective nos moldes anunciados, o futuro destes prémios fica seriamente ameaçado. Para muitos criadores, os Prémios Mozal não representavam apenas um reconhecimento financeiro, mas também uma plataforma de visibilidade, legitimidade e afirmação no panorama artístico nacional.

O patrocínio da Mozal, no âmbito da sua responsabilidade social, preencheu uma lacuna profunda no financiamento das artes em Moçambique, num contexto onde o apoio estatal e privado à cultura é limitado e irregular, esta iniciativa destacou-se como uma das poucas plataformas de grande escala dedicadas à promoção de uma cultura inclusiva, diversa e genuinamente nacional.
Com o anúncio da suspensão das actividades da empresa, instala-se um cenário de grande incerteza um verdadeiro efeito dominó uma vez que não apenas os Prémios de Artes e Cultura, correrem risco de “morrer”, mas todo um ecossistema criativo que encontrou, ao longo dos anos, neste projecto, uma base mínima de sustentabilidade e esperança.
Embora a Mozal tenha referido que continuará a aperfeiçoar as suas estratégias de transição, com vista a apoiar a sustentabilidade dos projectos sociais implementados, permanece a dúvida, será suficiente para garantir a continuidade dos Prémios?
O tempo, e sobretudo as decisões que se seguirem, dirão se a cultura moçambicana voltará a perder mais um dos seus raros espaços de reconhecimento estruturado ou se surgirá uma nova forma de resistência e reinvenção.
Mais sobre os Prémios Mozal
Enquanto o futuro permanece incerto, a edição deste ano dos Prémios de Artes e Cultura assume um peso ainda mais simbólico, mais do que uma simples cerimónia, esta premiação pode representar um dos últimos grandes momentos de celebração estruturada da criatividade moçambicana sob o selo da Mozal.
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DELICA: Associação criada por Manuela Manguele para o desenvolvimento literário de crianças em Moçambique
Com 20 anos de idade, Manuela Beatriz Manguele, conhecida no meio artístico como Uela Picada, começa a afirmar-se como uma das jovens vozes mais promissoras da literatura moçambicana.
Escritora, poetisa e estudante de Ciência Política na Universidade Eduardo Mondlane, Manuela é a fundadora da DELICA – Associação para o Desenvolvimento Literário de Crianças e Adolescentes, uma iniciativa inovadora que tem vindo a transformar a relação de crianças e jovens com a leitura e a escrita criativa no país.
A criação da DELICA nasce de uma experiência pessoal marcada pela escassez de livros e pela falta de orientação literária durante a infância. A partir dessa realidade, Manuela decidiu criar uma estrutura que pudesse garantir às novas gerações oportunidades de contacto com a literatura, convertendo uma vivência de carência num projecto de impacto social e educativo.
A associação promove actividades como oficinas de escrita criativa, biblioterapia, performances poéticas e projectos comunitários, com o objectivo de incentivar o gosto pela leitura, fortalecer a expressão artística e estimular o pensamento crítico entre crianças e adolescentes.
A abordagem da DELICA tem-se destacado pelo seu carácter humanizado, artístico e atento ao desenvolvimento emocional e intelectual dos participantes.
Paralelamente ao trabalho associativo, Manuela Beatriz Manguele constrói o seu percurso como poetisa e criadora de conteúdos literários, explorando temas como identidade, infância, feminilidade, dor e resistência. A sua escrita revela sensibilidade e consciência social, características que marcam o seu contributo para a cena literária nacional.
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Associação Hixinkanwe promove acções de sensibilização a pessoas vivendo com HIV e Sida em Maputo
Mais de 150 pessoas, com destaque para mulheres e crianças vivendo com HIV e Sida, foram sensibilizadas em matérias de violência baseada no género.
O evento que decorreu esta terça-feira, em Maputo, enquadra-se na celebração dos 16 dias de Activismo contra a Violência Baseada no Género.O quintal da Associação Hixinkanwe, no bairro de Malhazine, ficou pequeno para mulheres, homens e crianças que todas as terças-feiras acorrem aquele local para ter uma “panela solidária” e palavras de sensibilização.
Desta vez, o destaque foi para a violência baseada no género, onde, na “roda terapêutica”, as mulheres expuseram os seus traumas.Eliesa Tembe é uma das mulheres que participou da “roda terapêutica” econtou a sua história dramática como viúva e mãe de dois filhos vivendo com HIV.
Segundo conta, com uma voz hesitante e um semblante triste, é que descobriu que era seropositiva em 2017, na gravidez do seu penúltimo filho, que agora tem sete anos, que, felizmente, é seronegativa. Perdeu o marido quando o filho tinha apenas um ano e foi ai que a sua vida começou a ganhar contornos cinematográficos. Entre desentendimentos, quer com a sogra e com a mãe, Eliesa perdeu tudo que o marido a tinha deixado, até o direito de enterrar o seu parceiro.
Como solução, refugiou-se na rua, comendo restos de comida que apanhava nos contentores de lixo até ser acolhida pela Associação Hixinkanwe, “Graças a Deus cheguei nesta casa. Encontrei a mamã Judite, que me apoiou e me aquele abraço que eu queria ter da minha própria família”, conta, lamentando pelo facto de “quando eu tinha o meu esposo toda a família era unida comigo, mas quando o perdi todos se afastaram de mim”.
Para outras mulheres que vivem com HIV, Eliesa diz que o importante é aceitar, primeiro, o seu estado de saúde e cumprir devidamente com amedicação até se tornar indetectável, tal como ela, que agora é activista social.Para além de mulheres, a associação acolhe homens.
Um deles é Jaime Júlio, que chegou na associação debilitado e nem tinha esperança de que iria sobreviver. Mas o suporte que recebeu – a medicação e carinho – sobrepôs-se à doença. Hoje, Júlio é firme: jovens, não se deixem levar por esta doença, porque”, justifica, “não é o fim da nossa vida”, basta, apenas, cumprir com a medicação.
De acordo com Judite de Jesus, presidente e fundadora da Associação Hixinkanwe, esta agremiação destaca-se por suas actividades voltadas à acessibilidade ao tratamento e retenção de vítimas, oferecendo um espaço de acolhimento e suporte a quem mais precisa. Para além do apoio psicológico e social, a associação empenha-se em garantir que essas mulheres permaneçam no tratamento, contribuindo positivamente para a recuperação e empoderamento delas.
“A maioria dos nossos beneficiários são mulheres sobreviventes de violência, cujo oferecemos apoio social e serviços integrados que abrangem a família inteira”, afirma a líder, através de cestas básicas e uma “panela solidária”, onde mulheres se unem para ajudar umas às outras.Os esforços da Associação Hixinkanwe resultaram em conquistas como a redução de mortes entre as beneficiárias, o controle de suicídios e o sofrimento de crianças órfãs, além do empoderamento das mulheres que agora apresentam uma carga viral indetectável.
“A maioria já não depende da associação e muitas iniciaram seus próprios negócios, tornando-se parceiras na missão de ajudar as outras”, destaca de Jesus.
Associação Hixinkanwe atende mais de quatro mil pessoas na cidade de Maputo e em províncias como Gaza e Inhambane, através de núcleos de representação, onde através de “rodas terapêuticas” e “grupos de autoajuda”, onde as mulheres podem compartilhar as suas experiências, ouvir e aprender umas com as outras.