Cultura
Mário Macilau vence o prémio Roger Pic 2023
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O fotógrafo moçambicano Mário Macilau vence o prêmio Roger Pic Award 2023 com seu projeto “Fé”, que retrata a prática do animismo em Moçambique.
O prêmio inclui uma quantia em dinheiro de cinco mil euros (cerca de 350 mil meticais), uma residência artística na França em junho e uma exposição individual em setembro.
Segundo Caroline Chatriot, diretora cultural da Fundação Scam, organizadora do concurso, Moçambique e o continente africano têm artistas com um talento incomparável que precisam de destaque e reconhecimento.
A fonte destaca que o trabalho de Macilau tem um olhar único e promove muitas vezes uma realidade local e a memória coletiva, além de ser um trabalho poético que faz denúncia social e traduz realidades desconhecidas sobre diversos assuntos.
O projeto “Fé” registra a prática do animismo na cultura moçambicana atual, que é herdeira de formas tradicionais de religião que acreditavam em espíritos que habitavam objetos e fenômenos da natureza.
O projeto inclui ensinamentos, medicina tradicional, métodos de cura, ritos de passagem para jovens e aconselhamento sobre condutas a observar entre os membros de uma comunidade, refletindo conceitos locais de Deus e do cosmos.
O prêmio Roger Pic Award tem como objetivo incentivar e reconhecer fotógrafos que ainda não têm o merecido destaque mediático e é concedido todos os anos em memória de Roger Pic, um renomado diretor de fotografia francês e defensor dos direitos autorais. O júri busca sensibilidade e originalidade dos autores, inspirado pela abordagem humanista e generosa de Roger Pic
Cultura
Talentos nacionais em destaque no novo ciclo de exposições do Ready for Art
O Absa Bank Moçambique lançou recentemente um novo ciclo de exposições de arte contemporânea nas cidades de Maputo, Beira e Nampula. A iniciativa integra o programa Ready for Art e visa dar visibilidade a talentos nacionais, aproximando arte e comunidade.
A iniciativa enquadra-se no programa Ready for Art, uma plataforma que tem vindo a afirmar-se como espaço de promoção e valorização de talentos nacionais, ao mesmo tempo que aproxima a arte do público.
Na capital do país, o destaque vai para as obras de Dionésio Matabel, Alfredo Sambo e Marcos Zandamela, cujas criações reflectem diferentes abordagens da contemporaneidade moçambicana. Já na cidade da Beira, o público pode apreciar trabalhos de Celso Manhengue, Celso Júnior e David Alfredo. Em Nampula, a mostra integra peças de Nuno Mário, Genito Joaquim e Rocha Abílio. Cada exposição estará aberta até 24 de Abril.
O programa Ready for Art inclui também formação, mentoria e treino em empreendedorismo, oferecendo oportunidades de entrada no mercado da arte. Tânia Oliveira, directora de Marketing do banco, sublinha que a iniciativa vai além da promoção artística: “Cada artista traz uma narrativa única que merece ser vista, valorizada e partilhada.”
Cultura
Khufene Mauelele propõe novo paradigma de governação em África
O escritor moçambicano Khufene Mauelele lançou recentemente o romance Ubuntucracia, uma obra que cruza ficção, filosofia e crítica social para propor um modelo de governação baseado nos valores africanos. O livro já se encontra disponível nas livrarias moçambicanas e promete provocar debate intelectual, político e cultural em África e na diáspora.
Ambientado num universo simbólico profundamente ligado à realidade do continente africano, o romance acompanha personagens como Ubuntu, Democracia e Muntu, que representam ideias, sistemas e dilemas contemporâneos. A narrativa questiona os limites da democracia convencional e apresenta a Ubuntucracia como uma alternativa ética, política e civilizacional, centrada na humanidade, solidariedade e respeito pela comunidade.
Segundo o autor, a obra defende que a verdadeira transformação não surge apenas de leis ou instituições, mas de uma mudança profunda na forma como os indivíduos se relacionam entre si e com o poder. Ubuntu, figura ligada à ancestralidade e memória africana, confronta-se com o peso da história e o silêncio imposto, enquanto Democracia enfrenta as suas próprias falhas e Muntu representa o cidadão comum, marcado pela dor histórica e pela esperança persistente de um futuro mais justo.
A narrativa constrói um diálogo intenso entre tradição e modernidade, abordando temas como Afrocentricidade, memória colectiva, espiritualidade e resistência, propondo uma reflexão urgente sobre o futuro de África e do mundo.
A obra foi apresentada pela professora e ensaísta Renata Diaz-Szmidt, com comentários do filósofo Dionísio Bahule, e reforça o papel da literatura como instrumento de questionamento e transformação social.
Khufene Mauelele é reconhecido pelo seu trabalho voltado à identidade, política e filosofia africana, usando a ficção como meio de provocar reflexão e ação na sociedade.
Cultura
Nataniel Ngomane abre os livros que ficaram por ser (re)lido na casa dos Coutos
O professor de literatura Nataniel Ngomane protagonizou, na passada terça-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, uma palestra dedicada à redescoberta de obras moçambicanas que, apesar do seu valor literário e histórico, caíram no esquecimento.
Com o tema «Os livros que ficaram por ser (re)lidos», o evento revisitou títulos e autores que marcaram épocas, mas que hoje circulam pouco entre leitores, estudantes e instituições de ensino.
Segundo Ngomane, muitos textos fundamentais para compreender a sociedade moçambicana foram progressivamente afastados das listas de leitura, seja por falta de reedições, seja por alterações nos programas académicos. O objetivo da palestra não se limitou a recuperar essas obras, mas também estimular uma reflexão crítica sobre os critérios que determinam o que se lê.
Para os participantes, a iniciativa representou uma oportunidade de contacto com textos pouco conhecidos, mas essenciais para a construção de uma identidade literária nacional. A conversa também abriu caminho para o relançamento editorial de obras esgotadas e reforçou hábitos de leitura no país.
Ao destacar livros esquecidos, Ngomane reafirmou a necessidade de preservar o património literário moçambicano, garantindo que vozes do passado continuem a dialogar com o presente e a inspirar novas gerações de leitores e escritores.