Cultura
A Palhota discute relação conflituosa entre orientação sexual e tradições africanas no Utopia
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A Companhia de Artes “A Palhota” estreia amanhã, às 19h, no Projecto Utopia, na Mafalala, a peça de teatro “Penumbras”, que narra a história de um pai homossexual que comete suicídio por não ter podido viver livremente na sua condição.
A peça, resultante de uma Residência Artística, discute a relação muitas vezes conflituosa entre a orientação sexual e as tradições africanas.
A coordenação do espetáculo é do versátil Phayra Baloi, com acompanhamento técnico de Gerson Mbalango, Orlando na música e Idelfonso Colasso na fotografia, todos colaboradores do Utopia.
No palco, estarão maioritariamente mulheres que se beneficiaram da Residência Artística em um ambiente familiar que explora os diversos sabores da discriminação das minorias sexuais e mostra os diferentes tons da intolerância.

Em um comunicado à imprensa, a companhia afirma que a peça é um exercício de crítica guiado pela crença de que a diversidade enriquece. A história se desenvolve a partir das cartas de herança que o pai deixou para sua filha, nas quais ele conta suas experiências e medos.
“Penumbras” apresenta um enredo dividido entre o luto e a emancipação, dois polos que aparecem antagonizados, na peça, como as únicas possibilidades para as minorias sexuais.
A peça pretende cruzar visões e experiências multigeracionais para entender marcas e reflexos de um pensamento comum em diferentes cenários.
A promessa é de descrição de momentos trágicos resultantes da não aceitação das diferenças entre os seres humanos, através de um espaço cênico rico em efeitos de sombras.
“Penumbras” é uma peça que busca não só entreter, mas também promover reflexão sobre um tema ainda tão controverso na sociedade.
Cultura
Talentos nacionais em destaque no novo ciclo de exposições do Ready for Art
O Absa Bank Moçambique lançou recentemente um novo ciclo de exposições de arte contemporânea nas cidades de Maputo, Beira e Nampula. A iniciativa integra o programa Ready for Art e visa dar visibilidade a talentos nacionais, aproximando arte e comunidade.
A iniciativa enquadra-se no programa Ready for Art, uma plataforma que tem vindo a afirmar-se como espaço de promoção e valorização de talentos nacionais, ao mesmo tempo que aproxima a arte do público.
Na capital do país, o destaque vai para as obras de Dionésio Matabel, Alfredo Sambo e Marcos Zandamela, cujas criações reflectem diferentes abordagens da contemporaneidade moçambicana. Já na cidade da Beira, o público pode apreciar trabalhos de Celso Manhengue, Celso Júnior e David Alfredo. Em Nampula, a mostra integra peças de Nuno Mário, Genito Joaquim e Rocha Abílio. Cada exposição estará aberta até 24 de Abril.
O programa Ready for Art inclui também formação, mentoria e treino em empreendedorismo, oferecendo oportunidades de entrada no mercado da arte. Tânia Oliveira, directora de Marketing do banco, sublinha que a iniciativa vai além da promoção artística: “Cada artista traz uma narrativa única que merece ser vista, valorizada e partilhada.”
Cultura
Khufene Mauelele propõe novo paradigma de governação em África
O escritor moçambicano Khufene Mauelele lançou recentemente o romance Ubuntucracia, uma obra que cruza ficção, filosofia e crítica social para propor um modelo de governação baseado nos valores africanos. O livro já se encontra disponível nas livrarias moçambicanas e promete provocar debate intelectual, político e cultural em África e na diáspora.
Ambientado num universo simbólico profundamente ligado à realidade do continente africano, o romance acompanha personagens como Ubuntu, Democracia e Muntu, que representam ideias, sistemas e dilemas contemporâneos. A narrativa questiona os limites da democracia convencional e apresenta a Ubuntucracia como uma alternativa ética, política e civilizacional, centrada na humanidade, solidariedade e respeito pela comunidade.
Segundo o autor, a obra defende que a verdadeira transformação não surge apenas de leis ou instituições, mas de uma mudança profunda na forma como os indivíduos se relacionam entre si e com o poder. Ubuntu, figura ligada à ancestralidade e memória africana, confronta-se com o peso da história e o silêncio imposto, enquanto Democracia enfrenta as suas próprias falhas e Muntu representa o cidadão comum, marcado pela dor histórica e pela esperança persistente de um futuro mais justo.
A narrativa constrói um diálogo intenso entre tradição e modernidade, abordando temas como Afrocentricidade, memória colectiva, espiritualidade e resistência, propondo uma reflexão urgente sobre o futuro de África e do mundo.
A obra foi apresentada pela professora e ensaísta Renata Diaz-Szmidt, com comentários do filósofo Dionísio Bahule, e reforça o papel da literatura como instrumento de questionamento e transformação social.
Khufene Mauelele é reconhecido pelo seu trabalho voltado à identidade, política e filosofia africana, usando a ficção como meio de provocar reflexão e ação na sociedade.
Cultura
Nataniel Ngomane abre os livros que ficaram por ser (re)lido na casa dos Coutos
O professor de literatura Nataniel Ngomane protagonizou, na passada terça-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, uma palestra dedicada à redescoberta de obras moçambicanas que, apesar do seu valor literário e histórico, caíram no esquecimento.
Com o tema «Os livros que ficaram por ser (re)lidos», o evento revisitou títulos e autores que marcaram épocas, mas que hoje circulam pouco entre leitores, estudantes e instituições de ensino.
Segundo Ngomane, muitos textos fundamentais para compreender a sociedade moçambicana foram progressivamente afastados das listas de leitura, seja por falta de reedições, seja por alterações nos programas académicos. O objetivo da palestra não se limitou a recuperar essas obras, mas também estimular uma reflexão crítica sobre os critérios que determinam o que se lê.
Para os participantes, a iniciativa representou uma oportunidade de contacto com textos pouco conhecidos, mas essenciais para a construção de uma identidade literária nacional. A conversa também abriu caminho para o relançamento editorial de obras esgotadas e reforçou hábitos de leitura no país.
Ao destacar livros esquecidos, Ngomane reafirmou a necessidade de preservar o património literário moçambicano, garantindo que vozes do passado continuem a dialogar com o presente e a inspirar novas gerações de leitores e escritores.